Algumas especificidades sobre o trabalho
com cada faixa etária

Crianças


A imagem de um psicólogo sentado no chão a brincar com uma criança nem sempre evoca uma ideia de terapia tal como estamos habituados a vê-la representada no cinema ou na televisão. De facto, com frequência, é isto que se passa. Estabelecer uma ponte de comunicação com a criança envolve chegar a ela através do jogo, do desenho, e da conversa sobre os mesmos. Por vezes é necessário ter os pais no espaço da sessão, outras vezes é preciso observar a criança a sós, outras ainda trabalhar lado a lado com um co-terapeuta em que um terapeuta se ocupa da criança e outro dos pais. Qualquer das decisões tomadas em relação a como proceder no processo terapêutico é falada abertamente com a criança e os pais.

Adolescentes


É um cliché dizer que a adolescência é um tempo difícil. É menos cliché dizer que o advento da internet, as redes sociais e a proliferação da tecnologia em geral levou a um fosso geracional mais sentido ainda na actual geração de adolescentes. A esta altura histórica de transição somam-se as ansiedades individuais de cada adolescente, as mudanças físicas, o desejo de integração, as descobertas emocionais nem sempre fáceis desta fase de vida e a maior pressão escolar. O isolamento do adolescente ou o refúgio no ‘virtual’ é uma resposta frequente a este tipo de pressões. A terapia pode ser um espaço que permite ao adolescente continuar a abrir espaço para os outros na sua vida (família, amigos, etc) enquanto faz sentido das várias mudanças que ocorrem nesta fase, sem afastar ou hostilizar outros na sua vida.

Adultos


A diversidade de situações que ocorrem na vida adulta é vasta. Desde sentir desconforto em situações sociais ou no trabalho, sentir desconforto em relações íntimas, até dificuldades de relação com membros da família que nos são próximos (esposo/a, filhos, etc.) existe um leque amplo de sensações que nos indicam que algo na nossa vida não está certo, e que uma mudança é necessária. A estes factores junta-se o actual panorama de tensões económicas, sociais e políticas do mundo que nos rodeia, trazendo um presente e um futuro marcado pela incerteza para nós e para os que nos rodeiam. A terapia é também uma forma de ganhar poder sobre o desconforto que por vezes se apodera das nossas vidas bem como aprender a retirar maior prazer do que está à nossa volta. O trabalho com adultos pode ser individual, de casal ou familiar, de acordo com o pedido e as necessidades.

Adultos Séniores


À medida que a nossa esperança de vida aumenta, aumentam também as expectativas sobre como viver a fase mais adiantada das nossas vidas. Nas intervenções psicoterapêuticas com o idoso, um dos primeiros desafios relaciona-se com o facto de a idade do terapeuta ser, com frequência, inferior à idade do cliente. Outros obstáculos prendem-se com a rigidificação de certos hábitos na vida do cliente, lutos significativos vividos pelo mesmo ou o potencial isolamento social. Com vista a renegociar a posição de expert entre terapeuta e cliente, a intervenção psicoterapêutica com o idoso procura fazer uso da vasta experiência de vida do mesmo, encarando-a como uma vantagem e uma forma de expertise. Entre outros aspectos, analisam-se momentos distintos da vida do cliente com vista a identificar as soluções encontradas em determinadas etapas de vida e trazê-las para o presente. Com frequência, a intervenção com adultos séniores envolve trabalho conjunto com outros membros da família.